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“... suponhamos que havia no universo um planeta onde pudéssemos vir ao mundo pela segunda vez. Ao mesmo tempo, lembrar-nos-íamos perfeitamente da vida passada na Terra, de toda a experiência já adquirida.
E talvez houvesse outro planeta aonde viéssemos à luz pela terceira vez com a experiência das duas vidas anteriores.
E talvez fosse havendo sempre mais planetas onde a espécie humana fosse renascendo sempre um grau mais acima na escala da maturidade.
Era assim que Tomas via o eterno retorno.
Nós, cá na Terra (no planeta número um, no planeta da inexperiência), não podemos ter senão uma idéia muito vaga do que aconteceria ao homem nos outros planetas. Tornar-se-ia mais sábio? Poderá alguma vez ter a maturidade ao seu alcance? Poderá ele chegar a ela através da repetição?
Só na perspectiva desta utopia é que as noções de pessimismo e de otimismo têm sentido. Otimista é quem pensa que a história humana será menos sangrenta no planeta número cinco. Pessimista, quem não acredita nisso."

Milan Kundera, A insustentável leveza do ser

criado por elosdotempo_51
23:20:51

Durante o tempo que navego por vários lugares, tenho descoberto coisas interessantes e outras até imprevistas... O que mais me espanta, é perceber o “non sense” de alguns bloguistas, em manter um espírito de competição, ou mesmo, a luta para se manter entre os “ tops... 25...50...100...” nesta blogosfera... Há algum prêmio para isso? Dá-nos alguma medalha, algum reconhecimento da nossa extraordinária valia? Apenas os mais chegados e, geralmente se formam em grupos quase reservados, mantém entre si a cordialidade dos elogios, incentivando assim o outro a conviver com o espaço virtual. No geral, não me parece.
Isto me leva a tentar entender quais as razões que nos levam a criar isto, a escrever aqui, a colocar nossa expressão de sentimentos que podem ser lidos por toda a gente, mas (quantas vezes) não ditos àqueles com quem privamos todos os dias. Afinal o papel e a caneta continuam a existir e os processadores de texto também! Queremos que os outros (os tão anônimos outros, por detrás dos seus nicks e que passam a ser nossos amigos virtuais e até mais que isso, passam a ser reais em nossa imaginação) nos escutem, nos leiam, nos comentem? Ou queremos só expressar opiniões, sentimentos, sonhos, de uma maneira que nos parece mais criativa e nos obriga de certa forma a nos exercitar mais, a caprichar mais (há exceções, claro!)? Talvez seja essa a razão de tanta poesia que por aí se encontra. Até a mim me deu para escrever coisas novas, e que já não arranhava um poema há tanto tempo. E também há muita crítica, política ou não. Vejam só o trabalho que dá manter-se sempre em cima dos acontecimentos, para poder comentar todos os dias! Chega-se a uma blogodependência, que não deixa de ser um fenômeno interessante, já que faz parte de uma nova revolução cultural na comunicação... Que até estimula a criatividade, o interesses pelos amigos destas andanças (ou só a curiosidade?), mas provavelmente também nos alheia um pouco do que se passa mesmo ao nosso lado. Será? Ou será que é aí que vamos buscar a nossa razão (inspiração)?
Afinal, que interessam as razões, minhas e as dos outros? Eu estou mesmo aqui agora só para arrumar conversa para mais um post no meu blog...
Passageira do tempo...

criado por elosdotempo_51
22:38:13